{"id":67,"date":"2015-09-03T13:05:00","date_gmt":"2015-09-03T13:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/llagnes.com\/blog\/2015\/09\/03\/o-caminho-dos-indesejados\/"},"modified":"2018-08-07T17:50:23","modified_gmt":"2018-08-07T17:50:23","slug":"o-caminho-dos-indesejados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llagnes.com\/blog\/2015\/09\/03\/o-caminho-dos-indesejados\/","title":{"rendered":"O caminho dos indesejados"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\nPara onde caminham?&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<div>\nEntre arames farpados, vozes exaltadas e muros erguidos \u00e9 evidente que os migrantes s\u00e3o&nbsp;<i>personae non gratae<\/i>&nbsp;em solo europeu.<\/div>\n<div>\nSabendo que fugiram de um lugar com muitos mais muros, arames e outras coisas bem piores, acredito que para eles o que fazemos n\u00e3o seja mau. Acredito que at\u00e9 possam pensar que estas barreiras sejam normais na Europa. Bem, n\u00e3o s\u00e3o, ou pelo menos n\u00e3o costumavam ser, mas a vergonha do muro de Berlim parece que nos abandonou &#8211; h\u00e1 vergonhas que nunca deviam esmorecer.<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/llagnes.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/2015083100404696091.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img border=\"0\" src=\"http:\/\/llagnes.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/2015083100404696091.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nPara onde caminham e o que esperam alcan\u00e7ar?&nbsp;<\/p>\n<p>Paz, posso dize-lo antes deles. Mas como se encontra tal coisa num espa\u00e7o onde n\u00e3o h\u00e1 lugar? Num continente perdido e sem valores, onde se dobra e redobra, pisa e espezinha, companheiros de um sonho moribundo ao qual chamamos uni\u00e3o? N\u00e3o se encontra!<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nA medo l\u00e1 vem a ideia &#8211; \u00e9 preciso resolver, l\u00e1 na terra deles, onde outros e n\u00f3s fomos semear a disc\u00f3rdia, \u00e9 imperativo resolver.&nbsp;<br \/>\n\u00c9 preciso sim, \u00e9 urgente, \u00e9 indispens\u00e1vel, \u00e9 o <i>Certo<\/i>! Mas n\u00e3o \u00e9 porque &nbsp;o povo deles nos esta a desembarcar na costa, fartos da fome, do medo, da tortura e da morte&#8230; \u00c9 o certo a fazer, porque o mundo precisa de valores nobres que esta velha Europa parece h\u00e1 muito ter esquecido.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nMas enquanto a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega, eles v\u00e3o continuar a chegar e mais e muitos outros chegar\u00e3o. Para esses n\u00e3o serve, n\u00e3o chega o desumano transit\u00f3rio, o n\u00e3o-desejado compromisso. Acampamentos n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o, enfiar centenas de migrantes em comboios passando-os entre fronteiras para que seja problema de outros, n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 cobardia!<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nDevolve-los&nbsp; aos pa\u00edses de origem com o r\u00f3tulo de ilegal, migrantes, emigrantes seja l\u00e1 qual for a etiqueta que lhes queiram dar \u00e9 vergonhoso. Exilados politicos, ou n\u00e3o, com guerra, ou n\u00e3o, o simples pensamento de repatriamento \u00e9 cruel, \u00e9 um cancro de \u00f3dio.<br \/>\nEles que enfrentaram a morte ou viveram mesmo centenas delas para chegar at\u00e9 aqui, agora devem simplesmente baixar a cabe\u00e7a e aceitar o malfadado destino que lhes \u00e9 imposto?<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nA Europa na sua profunda depress\u00e3o, econ\u00f4mica mas sobretudo social est\u00e1 pronta para viver e conviver com estes migrantes durante anos, ou mesmo d\u00e9cadas? N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1! &nbsp;Ningu\u00e9m quer pensar sobre isso, bem meu senhores, eles s\u00e3o reais e n\u00e3o v\u00e3o desaparecer por magia.&nbsp;<br \/>\nO que nos resta fazer?! Encarar o problema de frente, aceitar que eles v\u00e3o ficar e que \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar a pensar em estrat\u00e9gias sustent\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nKabul passou de 0.5 milh\u00e3o de habitantes a 5 milh\u00f5es em menos de uma d\u00e9cada, com a chegada de migrantes e refugiados. Que li\u00e7\u00e3o podemos tirar da\u00ed? Palavra de ordem &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o!<br \/>\nPrecisamos de saber quem s\u00e3o, precisamos de lhes tratar das feridas corporais, mas sobre tudo&nbsp;psicol\u00f3gicas. As crian\u00e7as precisam de voltar para a escola, ou ir pela primeira vez a escola. As fam\u00edlias precisam de um lugar ao qual chamar casa. \u00c9 urgente que eles ganhem a sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia, que estejam envolvidos no processo de criar e reinventar o amanh\u00e3. Finalmente temos que por a carta em cima da mesa, encarar o facto que muitos deles a m\u00e9dio e longo prazo se ir\u00e3o tornar europeus.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<br \/>\nN\u00f3s europeus n\u00e3o temos empregos!&nbsp;Certo,&nbsp;cert\u00edssimo. Pois bem, criem-se para eles e para n\u00f3s, eles precisam de n\u00f3s e n\u00f3s precisamos deles, se virmos na adversidade um meio de nos redesenharmos para um futuro melhor.<\/p>\n<p>A quem cabe todas estas decis\u00f5es? De certo n\u00e3o \u00e9 a um punhado de homens de fato e gravata, para quem tudo tem um valor num\u00e9rico. Vidas n\u00e3o se medem em euros, nem em votos! A decis\u00e3o \u00e9 de todos n\u00f3s, a quest\u00e3o \u00e9 &#8211; vamos decidir o que \u00e9 certo, ou o medo vai-nos levar a repetir os mesmos erros do passado?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1&nbsp;asi\u00e1tico, africano, \u00e1rabe ou europeu. O que h\u00e1 s\u00e3o pessoas que antes de mais nasceram num planeta que nunca lhes pediu ou privou de &nbsp;nada. Isso veio depois, quando os Homens reclamaram para si o que \u00e9 de Todos os Seres!&nbsp;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para onde caminham?&nbsp; Entre arames farpados, vozes exaltadas e muros erguidos \u00e9 evidente que os migrantes s\u00e3o&nbsp;personae non gratae&nbsp;em solo europeu. Sabendo que fugiram de um lugar com muitos mais muros, arames e outras coisas bem piores, acredito que para eles o que fazemos n\u00e3o seja mau. 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